«Uma palavra, duas ideias»: o Espiritismo perante a pergunta da religião (1857-1868)

A pergunta entrou cedo na controvérsia pública, e entrou pela voz de um oponente, impressa num título. A 13 de abril de 1859, o jornal católico L’Univers publicou um artigo do abade François Chesnel intitulado «Une religion nouvelle à Paris», uma religião nova em Paris. [1] Kardec respondeu no número de maio da Revista Espírita, e a resposta não hesita: é uma religião? «É fácil demonstrar o contrário.» [2] Nove anos e meio depois, a 1 de novembro de 1868, o próprio Kardec pôs a pergunta no título do discurso de abertura da sessão anual comemorativa dos mortos da Sociedade de Paris: «O Espiritismo é uma religião?». E aí escreveu: «Pois bem, sim! Sem dúvida». [3]

Trata-se de duas declarações do mesmo autor que aparentam contradizer-se. As duas declarações podem ser citadas isoladamente para sustentar teses opostas. Este artigo acompanha as formulações de Kardec entre 1857 e 1868 e mostra como essa aparente contradição se esclarece pelo sentido atribuído à palavra. Na aceção corrente que Kardec discute, «religião» remete para um culto constituído e para uma forma institucional associada a ministros, clero, templos, hierarquias, cerimónias e dogmas. Nessa aceção institucional e cultual, a resposta nos textos de Kardec aqui examinados é «não», de 1859 a 1868. Matéria religiosa, os textos têm, e não a escondem. O que Kardec recusa é o título na aceção de culto constituído. O «sim» de 1868 pertence a outra aceção, que Kardec define e delimita no próprio texto em que o pronuncia, e nem esse sim o levou a adotar o título na aceção corrente. Uma palavra, duas ideias: a fórmula é dele, e organiza tudo o resto.

A categoria escolhida (1857-1862)

O ponto de partida está na página de rosto: a partir da 2.ª edição (1860), O Livro dos Espíritos apresenta-se ao leitor como «filosofia espiritualista», antes de qualquer outra qualificação. [4] A escolha lexical não é decorativa. A Introdução, já presente na edição de 1857, abre justamente com uma questão de vocabulário: «Para as coisas novas são precisas palavras novas.» «Espiritualismo» já designava toda a doutrina oposta ao materialismo, e quem acreditava ter em si algo mais do que matéria não acreditava necessariamente, só por isso, na existência dos espíritos ou nas comunicações com estes. Daí os neologismos «espírita» e «espiritismo». Na mesma introdução, a propósito da palavra «alma», Kardec formula o problema que voltará em 1868: o erro é da língua, que só tem uma palavra para três ideias. [5] O artigo de Chesnel confirma, sem querer, a necessidade do neologismo: abre invocando «o espiritualismo do sr. Cousin», chama «espiritualistas» aos frequentadores das sessões e «Revista espiritualista» ao periódico de Kardec, que nunca teve esse nome. A confusão que o novo termo devia prevenir estava instalada no próprio texto de acusação. [5]

A classificação principal manteve-se estável nos textos aqui analisados. O vocabulário à sua volta, esse, foi ganhando peso religioso, como se verá. Em 1862, o opúsculo de divulgação O Espiritismo na sua mais simples expressão, vendido a 15 cêntimos de franco e pensado para circular largamente, resume a génese da doutrina e conclui que as instruções dos Espíritos, recolhidas e organizadas, «constituem toda uma ciência, toda uma doutrina moral e filosófica sob o nome de Espiritismo. O Espiritismo é, portanto, a doutrina fundada sobre a existência, as manifestações e o ensino dos Espíritos.» [6] A fórmula mais conhecida, «ciência de observação e doutrina filosófica», pertence a textos vizinhos: surge no final do preâmbulo de O que é o Espiritismo e no ponto 1 do Resumo da lei dos fenómenos espíritas. [7] Num caso e no outro, trata-se de autodescrição histórica do século XIX.

O mesmo opúsculo de 1862 contém um argumento que impede, porém, uma leitura apressada: a de que o enquadramento científico-filosófico excluiria qualquer matéria religiosa. O texto abre um parágrafo com as palavras «do ponto de vista religioso» e afirma que o Espiritismo «tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, a imortalidade, as penas e as recompensas futuras; mas é independente de qualquer culto particular». [8] A distinção já está lá, num texto de divulgação, seis anos antes do discurso de 1868: matéria religiosa, sim, religião especial, não. Kardec explica: «Sendo independente de qualquer forma de culto e não prescrevendo nenhum, o Espiritismo não constitui uma religião especial e não recomenda a ninguém que abandone a sua.» Em janeiro de 1863, a Revista Espírita recorre à imagem dos «três quartos do caminho»: o Espiritismo reconduz à crença na vida futura, deixando a cada um a liberdade de escolher um culto segundo a razão ou a consciência. [9]

O quadro inicial não separa, portanto, uma filosofia secular de um domínio religioso que lhe fosse estranho. Separa duas coisas mais precisas: uma doutrina com proposições sobre Deus, a alma, a sobrevivência e a moral, e uma religião especial, organizada em culto próprio. Kardec reivindica a primeira e recusa a segunda, no mesmo opúsculo.

1859: a recusa, ponto por ponto

O artigo de Chesnel descrevia as sessões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em vocabulário litúrgico: «culto», «fiéis», «templo», invocação de abertura a um «santo canonizado». [10] Allan Kardec reproduziu o texto na íntegra e desmontou-o por partes.

Kardec começa por esclarecer o carácter do Espiritismo: «O seu verdadeiro carácter é, portanto, o de uma ciência, e não o de uma religião», e a prova apresentada é a composição dos aderentes: «homens de todas as crenças, que nem por isso renunciaram às suas convicções: católicos fervorosos que continuam a praticar todos os deveres do seu culto, protestantes de todas as denominações, israelitas, muçulmanos e até budistas e bramanistas». [11] No raciocínio desta passagem, o facto de os aderentes manterem os respetivos cultos serve de argumento para negar ao Espiritismo o carácter de religião concorrente.

A ausência de uma estrutura de culto é igualmente explícita: «O Espiritismo não é, portanto, uma religião: de outro modo teria o seu culto, os seus templos, os seus ministros.» Cada um pode fazer uma religião das suas opiniões, admite Kardec, «mas daí à constituição de uma nova Igreja vai uma grande distância, e creio que seria imprudente dar essa ideia». [12] A frase final merece atenção: em 1859, Kardec recusa o rótulo e considera imprudente sugerir a constituição de uma nova Igreja. E remata com uma analogia que retira à observação qualquer consequência de culto: o Espiritismo «não impõe um culto aos seus partidários, tal como a astronomia não impõe o culto dos astros, nem a pirotecnia o do fogo». [13]

Na resposta de 1859, Kardec afirma que o regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) a «proíbe de se ocupar de questões religiosas» e apresenta-a como «classificada na categoria das sociedades científicas». As sessões decorrem com calma e recolhimento por duas razões declaradas: é condição necessária da observação, e deve-se respeito aos que já não vivem na Terra. A invocação em nome de Deus e o apelo de abertura aos bons Espíritos provam apenas uma coisa: «que não somos ateus; mas isso não implica de modo algum que sejamos religionários». [14]

L’Univers reproduziu o artigo de Kardec a 28 de maio, seguido de uma resposta de Chesnel. Kardec voltou ao assunto no número de julho e resumiu a objeção numa linha: «Por essa conta, todas as filosofias seriam religiões.» [15] A polémica de 1859 fixou o repertório completo da posição, incluindo o seu efeito paradoxal: um dos resultados do Espiritismo, escreve Kardec, é «reconduzir às ideias religiosas os que se extraviaram num ceticismo exagerado». [16] Reconduz às ideias religiosas sem se apresentar como uma religião.

O diálogo com o padre e um problema de datação

O que é o Espiritismo encena, no capítulo I, três diálogos: o crítico, o cético, o padre. No diálogo com o padre, retoma e amplia o material de 1859, por vezes com frases inteiras da «Refutação» reproduzidas quase literalmente. [17] Acrescenta, porém, formulações novas. «O Espiritismo é antes de tudo uma ciência, e não se ocupa das questões dogmáticas.» [18] Kardec afirma ainda: «Trazemos um sentimento religioso às evocações e às nossas reuniões, mas não há fórmula sacramental; para os Espíritos, o pensamento é tudo e a forma nada». [19] E resume: «sem ser ele próprio uma religião, conduz essencialmente às ideias religiosas». [20]

O diálogo contém ainda uma inversão de autoria que interessa à história do rótulo. Quem chamou religião ao Espiritismo? Segundo Kardec, foi a Igreja: «O Espiritismo não era mais do que uma simples doutrina filosófica; foi ela que o engrandeceu ao apresentá-lo como inimigo temível; foi ela, enfim, que o proclamou religião nova. Foi uma inabilidade, mas a paixão não raciocina.» [21] A etiqueta religiosa, na leitura do codificador, é produto da polémica adversária, não da autodefinição.

Um reparo filológico antes de citar este diálogo com a data de 1859. O texto transmitido menciona o auto de fé de Barcelona, ocorrido a 9 de outubro de 1861, e remete em nota para a «moral do Evangelho», obra publicada em 1864 como Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo e com o título definitivo de O Evangelho segundo o Espiritismo a partir de 1865. O diálogo do padre, tal como circula, pertence, portanto, a uma edição revista, posterior à primeira: a Revista Espírita de julho de 1865 dá notícia de uma «nova edição revista e consideravelmente aumentada», já organizada nos três diálogos. As citações aqui usadas seguem a reedição francesa conforme à 8.ª edição de 1868. [22]

1863-1864: a fase anunciada e a competência recusada

Existe uma passagem que raramente é convocada para este debate e que merece análise: Em dezembro de 1863, no artigo «Período da luta», a Revista Espírita apresenta uma periodização do movimento: primeiro a curiosidade, das mesas girantes. Depois, a fase filosófica, aberta por O Livro dos Espíritos. Segue-se a luta, cujo sinal teria sido o auto de fé de Barcelona. E prossegue: «A luta determinará uma nova fase do Espiritismo e trará o quarto período, que será o período religioso». Seguir-se-á um quinto, intermédio, e «o sexto e último período será o da renovação social». [23]

A expressão assinala uma intensificação religiosa inequívoca no horizonte que o texto anuncia: perseguição comparada à dos primeiros mártires, citação de Cristo sobre os perseguidos, uma nova ordem de coisas «desejada por Deus». O desfecho descrito é «o triunfo definitivo da união, da paz e da fraternidade entre os homens fundidos numa mesma crença pela prática da lei evangélica». [24] O texto não diz, porém, que essa intensificação devesse traduzir-se num culto autónomo, num sacerdócio ou numa Igreja. Não define a «fase religiosa» e não faz dela o destino da sequência, que desemboca na renovação social. Sobre qualquer forma institucional, guarda silêncio. A distinção entre religiosidade e institucionalização ajuda a ler o texto, mas o silêncio sobre a forma institucional não permite concluir qual seria a organização dessa fase religiosa.

O contraponto institucional vem do mesmo ano. Em fevereiro de 1863, um correspondente de Tonnay-Charente enviou à Sociedade de Paris respostas mediúnicas, atribuídas ao «Espírito de Jesus», sobre «as questões mais delicadas dos dogmas da Igreja»: a eternidade do inferno, a ceia, a Paixão, a comunhão e a presença na hóstia, a relação entre poder temporal e poder espiritual. Pedia que a Sociedade se pronunciasse em sessão solene sobre o valor das respostas e a autenticidade do Espírito. A Sociedade aprovou por unanimidade uma resolução que distinguia os dois pedidos, publicada na Revista Espírita «para instrução de toda a gente», deixando clara «a inutilidade de dirigir no futuro questões sobre semelhantes assuntos». [25] A decisão lembra que o regulamento veda à Sociedade as «controvérsias religiosas» e recusa pronunciar-se sobre respostas «essencialmente dogmáticas». A posição não é de indiferença perante a religião, mas de recusa de competência dogmática: o assunto é declarado exterior ao objeto da Sociedade. Quanto à identidade, porém, declara apócrifo o nome de Cristo atribuído ao Espírito. Considera ainda inoportuna e perigosa a publicação do livro que o Espírito mandava publicar, e declara que teria o dever de rejeitar publicamente essa publicação. [26] No mesmo ano, a Revista respondera em janeiro a um leitor de Bordéus (o Espiritismo «faz percorrer três quartos do caminho», ficando cada um «livre de adotar em seguida o culto que melhor convier à sua razão ou à sua consciência») e publicou em julho «Carácter filosófico da Sociedade Espírita de Paris», onde a Sociedade reafirma o seu «fim exclusivamente moral». [27]

No ano seguinte, por decreto do Santo Ofício de 20 de abril de 1864, data registada no Index, O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e o próprio opúsculo O Espiritismo na sua mais simples expressão entram no Index. [28] Kardec regista a decisão na Revista Espírita de junho e, nos meses seguintes, devolve o rótulo ao adversário por duas vezes. Em julho: «Quem proclamou primeiro que o Espiritismo era uma religião nova, com o seu culto e os seus sacerdotes, senão o clero? Onde se viram, até hoje, o culto e os sacerdotes do Espiritismo? Se alguma vez se tornar uma religião, terá sido o clero a provocá-la.» Em setembro, a propósito de uma pastoral do novo bispo de Barcelona: «Se alguma vez o Espiritismo se tornar uma religião, terá sido a Igreja a primeira a dar essa ideia.» [28] A redação revista do diálogo do padre, posterior a estas datas, mantém a mesma leitura: a «religião nova» é «uma inabilidade» da própria Igreja. Meses depois de anunciada a «fase religiosa», Kardec continua, nestas respostas, a tratar a constituição de uma religião como hipótese condicional, provocada pela oposição do clero, e não como decisão institucional.

1868: a semântica antes da teologia

O discurso de 1 de novembro de 1868 é o texto mais invocado da discussão e vale a pena lê-lo por inteiro. A primeira parte retoma uma publicação anterior sobre a comunhão de pensamentos, como o próprio Kardec assinala em nota, e só depois chega à pergunta do título. Nessa primeira parte, Kardec defende a utilidade das assembleias religiosas e considera que o isolamento religioso, como o social, conduz ao egoísmo. A crítica dirige-se aos abusos, não à reunião das pessoas em torno de crenças partilhadas. [29] Ao chegar à pergunta do título, o primeiro movimento não é teológico: é uma definição da palavra, que Kardec adota e faz trabalhar a seu favor. «A palavra religião quer dizer laço; uma religião, na sua aceção ampla e verdadeira, é um laço que liga os homens numa comunidade de sentimentos, de princípios e de crenças.» Kardec regista que o nome passou depois a designar esses princípios «codificados e formulados em dogmas», mas os exemplos que dá do uso amplo são todos profanos: a religião política, a religião da amizade, a religião da família. [30]

É dentro dessa aceção, e só dentro dela, que vem o famoso sim: «Pois bem, sim! Sem dúvida, senhores; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e disso nos orgulhamos, porque é a doutrina que funda os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as bases mais sólidas: as próprias leis da natureza.» [31] O sim não é uma concessão arrancada nem um acidente retórico: Kardec orgulha-se dessa religião filosófica. Há uma aceção da palavra que ele aceita deliberadamente.

O parágrafo seguinte explica porque é que essa aceitação não deve levar à adoção do título na aceção usual. «Porque declarámos então que o Espiritismo não é uma religião? Pela razão de que só há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e de que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma ideia de forma, e o Espiritismo não a tem.» Se o Espiritismo se dissesse religião, o público veria nele «uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com o seu cortejo de hierarquias, de cerimónias e de privilégios». [32] E a conclusão operativa é uma autodesignação: o Espiritismo, «não tendo nenhum dos caracteres de uma religião, na aceção usual da palavra, não podia nem devia ostentar um título cujo alcance seria inevitavelmente mal compreendido; por isso se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral». [33]

Neste discurso, a decisão final é não tomar o título na aceção usual. O sim filosófico não é apresentado como meio caminho para um sim institucional. É ele que permite manter o não sem contradição.

Kardec aplica a distinção às reuniões. Podem ser conduzidas religiosamente, isto é, «com o recolhimento e o respeito que a natureza grave dos assuntos comporta», e nelas podem dizer-se preces em comum, «sem serem por isso o que se entende por assembleias religiosas». E antecipa a objeção de que estaria a jogar com as palavras: «a nuance é perfeitamente clara, e a aparente confusão vem apenas da falta de uma palavra para cada ideia». [34] O advérbio descreve um modo de proceder; a expressão «assembleias religiosas» designaria uma categoria de reunião. São coisas diferentes, e o texto distingue-as de propósito.

Resta o passo em que Kardec enumera «o Credo, a religião do Espiritismo». A palavra «Credo» reforça a dimensão religiosa do discurso, e o conteúdo também: a enumeração abre com a crença num Deus todo-poderoso, na imortalidade da alma, na pluralidade das existências e na justa retribuição do bem e do mal. Não é um credo vazio de proposições, e não deve ser apagado da análise. Mas a mesma lista manda «submeter todas as suas crenças ao controlo do livre exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega» e «respeitar todas as crenças sinceras». Fecha com a ciência como revelação das leis da natureza e declara essa religião conciliável «com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar Deus». [35] Um credo que submete ao livre exame todas as crenças, incluindo as suas próprias, e que se diz compatível com qualquer culto não se apresenta como mais um culto. Volta a descrever o laço filosófico da abertura.

Dezembro de 1868: a arquitetura sem sacerdócio

O mesmo número da Revista Espírita que publica o discurso publica a «Constituição transitória do Espiritismo». A publicação dos dois textos no mesmo número permite lê-los em conjunto: a distinção semântica do discurso encontra correspondência no modelo institucional proposto. [36]

Kardec propõe que a direção, individual durante a elaboração da obra, passe a coletiva: um comité central de doze membros titulares no máximo, com presidência anual rotativa e atribuída por sorteio. A natureza do poder fica definida com precisão: trata-se de «uma autoridade moral, no que respeita à interpretação e aplicação dos princípios da doutrina, e não de um poder disciplinar qualquer. Esta autoridade será, em matéria de Espiritismo, o que é a de uma academia em matéria de ciência». [37] O modelo declarado não é de Igreja, é de academia. E os centros gerais que se formarem em diferentes países serão, na imagem do texto, «os observatórios do mundo invisível», sem subordinação de uns aos outros, trocando observações como os observatórios astronómicos trocam as suas. O centro de Paris não se erguerá em árbitro universal da verdade: o Espiritismo, «pelo próprio facto de proclamar os princípios do livre exame e da liberdade de consciência, repudia a ideia de erigir-se em autocracia». [38]

Admite também como «provável» que um dos messias anunciados venha a estar à frente do Espiritismo, mas lembra que não trará sinal na fronte e só será reconhecido pelos atos. Daí a regra: «o pior de todos os chefes seria aquele que se apresentasse como o eleito de Deus». [39] E inscreve na própria constituição uma cláusula de revisão, com um limite declarado: o programa da doutrina só será invariável nos princípios «passados ao estado de verdades constatadas». Quanto aos outros, «se lhe for demonstrado que está em erro num ponto, modificar-se-á nesse ponto». [40]

Impõe-se aqui uma cautela de interpretação. Nada disto prova, por si só, que uma organização assim desenhada não possa ser classificada como religiosa: existem religiões sem sacerdócio formal, sem autoridade central, com estruturas assentes em assembleias. O modelo institucional de 1868 constitui um indício convergente, mas não uma prova conclusiva. Este indício ganha força ao ser lido em conjunto com as declarações explícitas do mesmo número: um autor que acaba de explicar porque recusa o título de religião desenha, no texto ao lado, uma instituição decalcada das academias e dos observatórios, com presidência tirada à sorte, sem clero e com cláusula de revisão. O desenho confirma a semântica, não a substitui.

Esta proposta articula-se, por fim, com o que Kardec já tinha estabelecido em 1864, na introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo: a autoridade doutrinária assenta no que Kardec designou por controlo universal do ensino dos Espíritos, a concordância procurada entre comunicações obtidas em lugares diferentes e por médiuns diferentes, em vez da autoridade exclusiva de uma pessoa. Isso não elimina o papel de Kardec na seleção e organização do material. O CEsE tratou esse mecanismo em artigo próprio, a que este texto remete. [42]

Os materiais da leitura contrária

Importa igualmente compreender os elementos que alimentam a leitura oposta à aqui apresentada. Inclui-se nesta discussão um texto publicado postumamente em setembro de 1869, convocado como material dessa leitura, fora da sequência de publicações de 1857 a 1868.

O «sim» de 1868 é por vezes citado sem o parágrafo seguinte. Como a explicação do «não» surge imediatamente a seguir, a citação isolada do «sim» omite uma qualificação essencial.

Também se invoca uma passagem em que o Espiritismo surge como «doutrina filosófica que tem consequências religiosas, como toda a filosofia espiritualista», mas que «não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templo, e que, entre os seus adeptos, nenhum tomou nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo sacerdote». Essa passagem pertence a «Curta resposta aos detratores do Espiritismo», texto publicado na Revista Espírita de setembro de 1869, sob a indicação «Œuvres posthumes», e depois incluído no volume Obras Póstumas (1890). Trata-se, portanto, de uma publicação póstuma, mas anterior à compilação de 1890. Em todo o caso, o conteúdo repete a posição documentada entre 1859 e 1868, incluindo a formulação do opúsculo de 1862 sobre a «religião especial», não a inverte. [43]

Há ainda o vocabulário do próprio Kardec: revelação, era nova, comentário moral do Evangelho, preces coletivas, uma moral «essencialmente cristã» e a expressão «Espiritismo cristão» no opúsculo de 1862 [9], o anúncio de uma «fase religiosa» em 1863, um «Credo» em 1868. Em A Génese, Kardec atribui à revelação espírita um «duplo carácter», simultaneamente divino e científico. [41] São materiais reais, e a leitura confessional posterior pôde mobilizá-los. Em várias passagens, Kardec delimita o sentido em que emprega esse vocabulário: a moral cristã sem dogmas particulares, o Credo com livre exame e compatível com todos os cultos, as preces em comum sem assembleias religiosas. A fase religiosa integra uma sequência que desemboca na renovação social, mas o texto não define a sua forma institucional. Também o n.º 34 do opúsculo, onde surge «Espiritismo cristão», não contém uma ressalva equivalente. A recusa de um culto particular está documentada nas passagens já examinadas. Não permite, porém, atribuir a todas estas expressões a intenção de impedir qualquer leitura religiosa. O que a posteridade fez com os materiais é outra pergunta, e vem a seguir.

No Brasil, desde o final do século XIX e ao longo do século XX, desenvolveram-se organizações com identidade coletiva, prática devocional regular, literatura moral, ação assistencial e formas próprias de pertença. Muitas passaram a funcionar socialmente como instituições religiosas. Este facto não deve ser tratado como simples desvio nem como erro de leitura: responde a uma pergunta diferente e legítima, a de saber como funcionaram historicamente determinadas organizações e comunidades. As ciências sociais não estão obrigadas a aceitar a autodesignação de um movimento como classificação final. Observam práticas, ritos, autoridades e modos de transmissão, e podem classificar como religiosas configurações que não se diziam tais. A mesma abordagem pode ser aplicada ao movimento francês durante a vida de Kardec. [44] O que essa classificação não faz é alterar retroativamente os textos de 1857-1868. São perguntas diferentes, a da autodesignação e a da classificação, que podem incidir sobre o mesmo período e as mesmas práticas. O artigo do CEsE sobre a reconfiguração brasileira das práticas espíritas trabalha precisamente sobre a segunda. [45]

O que os textos permitem afirmar

A pergunta «o Espiritismo é uma religião?» só tem resposta rigorosa depois de se fixar a aceção da palavra e o objeto analisado. Fixados ambos, a resposta existe.

Na aceção de religião constituída que Kardec discute, com culto, clero, templos e dogmas, a resposta nos textos aqui examinados é não. É um não declarado em 1859, repetido no opúsculo popular de 1862 («não constitui uma religião especial»), expresso na recusa de competência dogmática pela Sociedade de Paris em 1863, mantido depois do Index de 1864 e confirmado em 1868, no exato momento em que Kardec admite o outro sentido: «não podia nem devia ostentar um título cujo alcance seria inevitavelmente mal compreendido». O desenho institucional de dezembro de 1868, sem sacerdócio, com presidência sorteada e cláusula de revisão, corrobora a intenção.

Na aceção filosófica de laço moral, que o próprio Kardec definiu e delimitou, a resposta dele é sim, como declara em 1868, com orgulho e com a restrição na mesma frase. Esse sim não enfraquece o não, explica-o. Só há uma palavra para duas ideias, e Kardec escolheu não deixar que a palavra confundisse as ideias.

A classificação histórica e sociológica pode abranger tanto as configurações posteriores como o movimento no tempo de Kardec. Pode reconhecer uma dimensão religiosa sem alterar o sentido das declarações analisadas. O que este artigo documentou é a posição de Kardec nesses textos: o Espiritismo não é apresentado nem autodenominado como religião especial ou constituída, e Kardec recusou expressamente adotar esse título na aceção usual da palavra. No CEsE concordamos com essa recusa.

Uma palavra, duas ideias. As duas declarações que abrem este artigo foram publicadas em maio de 1859 e dezembro de 1868.

Nota sobre as traduções

As traduções são do CEsE, feitas a partir dos textos franceses identificados nas notas. Importa explicar quatro opções de tradução: a tradução de «sectes» é «seitas», no entanto na época em que Kardec o escreveu, «seita» era entendido como «corrente», ou «ramo», já nos dias de hoje muitas vezes tem um significado pejurativo, daí ter-se optado por «designações». «Lien» traduz-se por «laço», preservando a imagem de ligação entre pessoas desenvolvida por Kardec. «Acception» traduz-se por «aceção», termo técnico exato. «Religionnaires» traduz-se por «religionários», conservando a proximidade lexical com o original. Nesta passagem, a distinção resulta do argumento de Kardec: a invocação de Deus não basta para caracterizar a Sociedade como uma confissão religiosa.

Notas

[1] O título e a data constam da resposta de Kardec, que reproduz o artigo de Chesnel na íntegra: «Vous intitulez votre article : Une religion nouvelle à Paris» («Réfutation d’un article de l’Univers», Revue spirite, maio de 1859). Transcrição integral: Kardecpedia. O artigo vem assinado «L’abbé François Chesnel».

[2] «En second lieu est-ce une religion ? Il est aisé de démontrer le contraire.» Kardec, «Réfutation d’un article de l’Univers», Revue spirite, maio de 1859 (ligação na nota 1).

[3] «Eh bien, oui ! sans doute, Messieurs ; dans le sens philosophique, le Spiritisme est une religion.» Kardec, «Séance annuelle commémorative des morts. Société de Paris, 1er novembre 1868. Discours d’ouverture par M. Allan Kardec. Le Spiritisme est-il une religion ?», Revue spirite, dezembro de 1868. Transcrição integral: Kardecpedia.

[4] Kardec, Le Livre des Esprits, 2.ª ed., Paris, Didier, 1860, página de rosto: «Philosophie spiritualiste». A designação mantém-se nas edições seguintes. A página de rosto da 1.ª edição (Paris, E. Dentu, 1857) não contém a expressão «Philosophie spiritualiste»: fac-símile do exemplar da Bibliothèque cantonale et universitaire de Lausanne, Google Books. Fac-símile da 2.ª edição de 1860, página de rosto: Internet Archive.

[5] «Pour les choses nouvelles il faut des mots nouveaux, ainsi le veut la clarté du langage, pour éviter la confusion inséparable du sens multiple des mêmes termes. […] Au lieu des mots SPIRITUEL, SPIRITUALISME, nous employons, pour désigner cette dernière croyance, ceux de spirite et de spiritisme […]. […] le tort est à la langue de n’avoir qu’un mot pour trois idées.» Kardec, Le Livre des Esprits, Paris, E. Dentu, 1857, «Introduction à l’étude de la doctrine spirite» (fac-símile na nota 4).

Sobre Chesnel: «Tout le monde connaît le spiritualisme de M. Cousin, cette philosophie destinée à prendre doucement la place de la religion. […] La Revue spiritualiste, qui paraît régulièrement tous les mois…» Chesnel, L’Univers, 13 de abril de 1859, conforme reproduzido em Kardec, «Réfutation…» (nota 1). Kardec retoma a questão terminológica em Qu’est-ce que le Spiritisme, cap. I, segundo diálogo (O cético), secção «Spiritisme et spiritualisme»: Kardecpedia.

[6] «[…] constituent toute une science, toute une doctrine morale et philosophique sous le nom de Spiritisme. Le spiritisme est donc la doctrine fondée sur l’existence, les manifestations et l’enseignement des Esprits.» Kardec, Le Spiritisme à sa plus simple expression, Paris, 1862, «Historique du Spiritisme», p. 11. Fac-símile de 1862: IPEAK.

Sobre o preço e o propósito: Revue spirite, janeiro de 1862, «Bibliographie», p. 29 (saída a 15 de janeiro, «au lieu de 25 centimes, prix indiqué, elle sera donnée à 15 centimes par exemplaire séparé»). Em abril de 1862, a Revue informa que «près de dix mille exemplaires» estavam escoados e que o opúsculo se reimprimia «avec plusieurs corrections importantes».

[7] «Le Spiritisme est à la fois une science d’observation et une doctrine philosophique. Comme science pratique, il consiste dans les relations que l’on peut établir avec les Esprits ; comme philosophie, il comprend toutes les conséquences morales qui découlent de ces relations.» A fórmula surge no final do preâmbulo de Qu’est-ce que le Spiritisme e abre o ponto 1 do Résumé de la loi des phénomènes spirites, publicado na Revue spirite de abril de 1864 (p. 106) e em folheto: Kardecpedia.

[8] «Au point de vue religieux, le Spiritisme a pour base les vérités fondamentales de toutes les religions: Dieu, l’âme, l’immortalité, les peines et les récompenses futures ; mais il est indépendant de tout culte particulier.» Kardec, Le Spiritisme à sa plus simple expression, Paris, 1862, p. 15 (fac-símile na nota 6).

[9] Na edição de 1862, p. 16: «Le Spiritisme étant indépendant de toute forme de culte, et n’en prescrivant aucun, ne constitue point une religion spéciale, et ne recommande à personne de quitter la sienne.». Para a imagem dos três quartos do caminho, ver Kardec, «Réponse à une question sur le Spiritisme au point de vue religieux», Revue spirite, janeiro de 1863 (nota 27).

Na edição de 1862 encontram-se também, na p. 16, «Comme morale, il est essentiellement chrétien» e, no n.º 34, p. 26, «une nouvelle génération s’élève dont les croyances seront fondées sur le Spiritisme chrétien». Kardec, Le Spiritisme à sa plus simple expression (nota 6).

[10] «Ce culte a des assemblées périodiques qui s’ouvrent par l’invocation d’un saint canonisé. Après avoir constaté la présence au milieu des fidèles de saint Louis, roi de France, on le supplie d’interdire aux malins esprits l’entrée du temple […].» Chesnel, conforme reproduzido em Kardec, «Réfutation…» (nota 1).

[11] «Son véritable caractère est donc celui d’une science et non d’une religion, et la preuve en est, c’est qu’il compte parmi ses adhérents des hommes de toutes les croyances et qui n’ont point pour cela renoncé à leurs convictions : des catholiques fervents qui n’en pratiquent pas moins tous les devoirs de leur culte, des protestants de toutes les sectes, des israélites, des musulmans et jusqu’à des bouddhistes et des brahmistes […].» Kardec, «Réfutation…» (nota 1).

[12] «Le spiritisme n’est donc point une religion : autrement il aurait son culte, ses temples, ses ministres. Chacun sans doute peut se faire une religion de ses opinions, interpréter à son gré les religions connues, mais de là à la constitution d’une nouvelle Eglise, il y a loin, et je crois qu’il serait imprudent d’en donner l’idée.» Kardec, «Réfutation…» (nota 1).

[13] «[Le spiritisme] n’impose pas plus un culte à ses partisans que l’astronomie n’impose le culte des astres, ni la pyrotechnie celui du feu.» Kardec, «Réfutation…» (nota 1).

[14] «[…] son règlement lui interdit de s’occuper de questions religieuses ; elle est rangée dans la catégorie des sociétés scientifiques […]. Elle procède à ses travaux avec calme et recueillement, d’abord parce que c’est une condition nécessaire pour les observations ; secondement, parce qu’elle sait le respect que l’on doit à ceux qui ne vivent plus sur la Terre. […] Qu’est-ce que cela prouve ? Que nous ne sommes pas des athées ; mais cela n’implique nullement que nous soyons des religionnaires.» Kardec, «Réfutation…» (nota 1). A expressão «questions religieuses» pertence à descrição feita por Kardec neste artigo de 1859. A deliberação de 1863 emprega a formulação mais específica «questions de controverses religieuses» e aplica-a à recusa de discutir as respostas dogmáticas submetidas à Sociedade (notas 25 e 26). Conservam-se as expressões de cada fonte. A diferença de formulação não demonstra, por si só, uma alteração do regulamento.

[15] «Le journal l’Univers a inséré, dans son numéro du 28 mai dernier, la réponse que nous avons faite à l’article de M. l’abbé Chesnel […], et l’a fait suivre d’une réplique de ce dernier. […] A ce compte, toutes les philosophies seraient des religions.» Kardec, «Réponse à la réplique de M. l’abbé Chesnel dans l’Univers», Revue spirite, julho de 1859: Kardecpedia. O mesmo número de julho (p. 196) anuncia a publicação de Qu’est-ce que le Spiritisme (1.ª edição, preço 60 cêntimos de franco), já em forma de diálogo: «La forme d’entretien nous a semblé la plus convenable».

[16] «[…] un de ses effets est de ramener aux idées religieuses ceux qui sont égarés par un scepticisme exagéré.» Kardec, «Réfutation…» (nota 1).

[17] Compare-se, por exemplo, o bloco «Son véritable caractère est donc celui d’une science, et non d’une religion…» na «Réfutation…» de maio de 1859 (nota 1) e no terceiro diálogo de Qu’est-ce que le Spiritisme (nota 18): a transposição é quase literal.

[18] «Le spiritisme est avant tout une science, et ne s’occupe point des questions dogmatiques.» Kardec, Qu’est-ce que le Spiritisme, cap. I, terceiro diálogo (O padre): Kardecpedia. Texto conferido na reedição do Mouvement Spirite Francophone, conforme à 8.ª edição de 1868, identificada na respetiva página de rosto.

[19] «Assurément nous apportons un sentiment religieux dans les évocations et dans nos réunions, mais il n’y a point de formule sacramentelle ; pour les Esprits, la pensée est tout et la forme rien.» Kardec, Qu’est-ce que le Spiritisme, terceiro diálogo (nota 18).

[20] «Voilà pourquoi, sans être lui-même une religion, il porte essentiellement aux idées religieuses.» Kardec, Qu’est-ce que le Spiritisme, terceiro diálogo (nota 18).

[21] «Le spiritisme n’était qu’une simple doctrine philosophique ; c’est elle-même qui l’a grandi en le présentant comme un ennemi redoutable ; c’est elle enfin qui l’a proclamé religion nouvelle. C’était une maladresse, mais la passion ne raisonne pas.» Kardec, Qu’est-ce que le Spiritisme, terceiro diálogo (nota 18).

[22] O texto transmitido do terceiro diálogo refere o auto de fé de Barcelona (9 de outubro de 1861, data registada no relato contemporâneo «La queue du moyen âge. Auto-da-fé des ouvrages Spirites à Barcelone», Revue spirite, novembro de 1861, p. 324) e remete para «la Morale de l’Évangile selon le spiritisme», com nota «La morale de l’Évangile, chap. IV et V». A obra saiu em 1864 como Imitation de l’Évangile selon le Spiritisme (anunciada «en vente» na Revue spirite de abril de 1864) e aparece como L’Évangile selon le Spiritisme na Revue de 1865.

A Revue spirite de julho de 1865, «Notices bibliographiques», p. 223, anuncia: «QU’EST-CE QUE LE SPIRITISME par Allan Kardec. Nouvelle édition remaniée et considérablement augmentée», com o capítulo I dividido em «Premier entretien : le critique. 2° entretien : le sceptique […]». O catálogo que abre o volume de 1865 regista-a como «6e édition considérablement augmentée». A notícia comprova a existência de uma versão ampliada em 1865. Para as citações deste artigo foi conferida a reedição conforme à 8.ª edição de 1868 (nota 18), não um exemplar da 6.ª edição.

[23] «La lutte déterminera une nouvelle phase du Spiritisme et amènera la quatrième période, qui sera la période religieuse ; puis viendra la cinquième, période intermédiaire, conséquence naturelle de la précédente […]. La sixième et dernière période sera celle de la rénovation sociale […].» «Période de la lutte», Revue spirite, dezembro de 1863, pp. 377–379. Transcrição integral: Kardecpedia.

Trata-se de um artigo editorial de Kardec, que termina anunciando duas comunicações de Espíritos publicadas a seguir. A passagem em primeira pessoa («J’ai dit, et je le répète : je vois le but, je sais quand et comment il sera atteint») pertence ao artigo, não às comunicações subsequentes. Para a data do auto de fé de Barcelona, ver o relato de novembro de 1861 citado na nota 22.

[24] «[…] tous les obstacles au nouvel ordre de choses voulu par Dieu pour la transformation de la terre auront disparu ; […] le triomphe définitif de l’union, de la paix et de la fraternité entre les hommes confondus dans une même croyance par la pratique de la loi évangélique.» «Période de la lutte» (nota 23).

[25] «Réponse de la Société spirite de Paris sur les questions religieuses. Extrait du procès-verbal de la séance du 13 février 1863», Revue spirite, março de 1863: Kardecpedia. As oito questões (inferno eterno, ceia, Paixão, comunhão e hóstia, poderes temporal e espiritual, entre outras) e a resolução, aprovada «chaleureusement, à l’unanimité» e publicada «pour l’instruction de tout le monde, et afin que l’on comprenne l’inutilité d’adresser à l’avenir des questions sur de pareils sujets», constam da transcrição.

[26] «[…] la Société spirite de Paris s’est interdit par son règlement toutes les questions de controverses religieuses, de politique et d’économie sociale […]. Par ces motifs, elle ne saurait émettre ni officiellement, ni officieusement d’opinions sur la valeur des réponses dictées au médium de M. …, ces réponses étant essentiellement dogmatiques, et même politiques […].» A mesma decisão apresenta a caridade como o sentimento «qui doit être la base de toute religion rationnelle». «Décision prise par la Société spirite de Paris sur les questions proposées par M. …, de Tonnay Charente, dans sa séance du 13 février 1863», Revue spirite, março de 1863: Kardecpedia.

A decisão não se limita à recusa de discussão dogmática. Na p. 86, considera a publicação do livro «inopportune et dangereuse» e afirma que teria o dever de «la désavouer». Quanto à identidade, conclui: «En résumé, il demeure évident pour la Société que le nom dont se pare l’Esprit, qui dit être le Christ, est apocryphe».

[27] «[…] libre à lui d’adopter ensuite le culte qui conviendra le mieux à sa raison ou à sa conscience ; mais là s’arrête le rôle du Spiritisme ; il fait faire les trois quarts du chemin […].» Kardec, «Réponse à une question sur le Spiritisme au point de vue religieux», Revue spirite, janeiro de 1863. Transcrição: Kardecpedia.

«[…] le but exclusivement moral que la Société se propose […].» Kardec, «Caractère philosophique de la Société spirite de Paris», Revue spirite, julho de 1863: Kardecpedia. A proveniência do correspondente é indicada no parágrafo inicial: «La question suivante nous a été adressée par une personne de Bordeaux […]». O artigo de julho publica dois pedidos de admissão e responde a calúnias sobre a Sociedade. Não desenvolve a questão religiosa.

[28] Index librorum prohibitorum, ed. de 1938, p. 242, s.v. «Kardec, Allan [pseudonymus]»: «Le livre des esprits contenant les principes de la doctrine spirite. Decr. S. Off. 20 apr. 1864». «Le livre des médiums, ou guide des médiums et des évocateurs. Decr. S. Off. 20 apr. 1864». «Le spiritisme à sa plus simple expression. Decr. S. Off. 20 apr. 1864». A entrada remete também para «Revue spirite». Fac-símile: Biblioteca Digital de Łódź.

A data de 20 de abril é também a registada por J. M. de Bujanda, com a colaboração de Marcella Richter, Index librorum prohibitorum, 1600-1966, Montréal/Genève, Médiaspaul/Droz, 2002, pp. 479–480. David Armando, «Après la Révolution», em L’Inquisition romaine et la France, Roma, École française de Rome, 2024, parágrafos 45–48, notas 93 e 97, identifica a deliberação do Santo Ofício de 20 de abril de 1864 (Feria IV), com referência aos registos do arquivo da Congregação.

Francesco Baroni, «The Vatican’s mediums. The strange case of Pope Pius IX and the spiritualistic experiences of the archbishop of Rennes», Religion, 55(1), 2025, pp. 369–392, menciona 25 de abril como data do decreto. Reproduz ainda uma carta de Pio IX a Darboy, de 26 de abril, que remete para um decreto de 20 de abril já aprovado pelo Papa. O artigo do CEsE indicado na nota 42 refere 25 de abril. «L’Index de la cour de Rome», Revue spirite, junho de 1864, p. 191, refere «la date du 1er mai 1864». Armando identifica, no parágrafo 48, a promulgação pela Congregação do Index em 25 de abril de 1864. É possível, assim, distinguir a data do decreto, 20 de abril, da data da promulgação, 25 de abril. Os testemunhos aqui citados não permitem fixar o dia exato da aprovação papal nem esclarecer a natureza da data de 1 de maio mencionada na Revue spirite. O corpo deste artigo segue a data do decreto documentada no Index e nos estudos de Bujanda e Armando.

Passagens citadas: «Qui, le premier, a proclamé que le Spiritisme était une religion nouvelle avec son culte et ses prêtres, si ce n’est le clergé ? Où a-t-on vu, jusqu’à présent, le culte et les prêtres du Spiritisme ? Si jamais il devient une religion, c’est le clergé qui l’aura provoquée.» («Réclamation de M. l’abbé Barricand», Revue spirite, julho de 1864, p. 199). «C’est ici le cas de répéter ce que nous avons déjà dit à ce sujet : Si jamais le Spiritisme devient une religion, c’est l’Eglise qui, la première, en aura donné l’idée.» («Le nouvel évêque de Barcelone», Revue spirite, setembro de 1864, p. 267).

[29] «La première partie de ce discours est empruntée à une publication antérieure sur la Communion de pensées, mais qu’il était nécessaire de rappeler, à cause de sa liaison avec l’idée principale.» Nota de Kardec ao discurso de dezembro de 1868 (nota 3). Na p. 357, o discurso defende a utilidade das assembleias religiosas, apesar dos abusos cometidos em seu nome, e afirma: «L’isolement religieux, comme l’isolement social, conduit à l’égoïsme.»

[30] «[…] le mot religion veut dire lien; une religion, dans son acception large et vraie, est un lien qui relie les hommes dans une communauté de sentiments, de principes et de croyances; consécutivement, ce nom a été donné à ces mêmes principes codifiés et formulés en dogmes ou articles de foi. C’est en ce sens que l’on dit : la religion politique […]. C’est en ce sens qu’on dit aussi: la religion de l’amitié, la religion de la famille.» Kardec, discurso de dezembro de 1868 (nota 3).

A etimologia subjacente (religio derivado de religare, ligar) corresponde à tradição de Lactâncio, Divinae institutiones, IV, 28. Cícero, De natura deorum, II, 28, 72, deriva-a de relegere. O argumento do artigo não depende da etimologia. Depende apenas do sentido que Kardec declarou atribuir à palavra.

[31] «Eh bien, oui! sans doute, Messieurs; dans le sens philosophique, le Spiritisme est une religion, et nous nous en glorifions, parce que c’est la doctrine qui fonde les liens de la fraternité et de la communion de pensées, non pas sur une simple convention, mais sur les bases les plus solides: les lois mêmes de la nature.» Kardec, discurso de dezembro de 1868 (nota 3).

[32] «Pourquoi donc avons-nous déclaré que le Spiritisme n’est pas une religion ? Par la raison qu’il n’y a qu’un mot pour exprimer deux idées différentes, et que, dans l’opinion générale, le mot religion est inséparable de celle de culte ; qu’il réveille exclusivement une idée de forme, et que le Spiritisme n’en a pas. Si le Spiritisme se disait religion, le public n’y verrait qu’une nouvelle édition, une variante, si l’on veut, des principes absolus en matière de foi ; une caste sacerdotale avec son cortège de hiérarchies, de cérémonies et de privilèges […].» Kardec, discurso de dezembro de 1868 (nota 3).

[33] «Le Spiritisme, n’ayant aucun des caractères d’une religion, dans l’acception usuelle du mot, ne pouvait, ni ne devait se parer d’un titre sur la valeur duquel on se serait inévitablement mépris ; voilà pourquoi il se dit simplement : doctrine philosophique et morale.» Kardec, discurso de dezembro de 1868 (nota 3).

[34] «Les réunions spirites peuvent donc être tenues religieusement, c’est-à-dire avec le recueillement et le respect que comporte la nature grave des sujets dont on s’y occupe ; on peut même y dire, à l’occasion, des prières qui, au lieu d’être dites en particulier, sont dites en commun, sans être pour cela ce qu’on entend par assemblées religieuses. Qu’on ne croie pas que ce soit là jouer sur les mots ; la nuance est parfaitement claire, et l’apparente confusion ne vient que faute d’un mot pour chaque idée.» Kardec, discurso de dezembro de 1868 (nota 3).

[35] «Croire en un Dieu tout-puissant, souverainement juste et bon ; croire en l’âme et en son immortalité ; […] à la pluralité des existences […] ; à l’équitable rémunération du bien et du mal […] ; soumettre toutes ses croyances au contrôle du libre examen et de la raison, et ne rien accepter par la foi aveugle ; respecter toutes les croyances sincères, quelque irrationnelles qu’elles nous paraissent, et ne violenter la conscience de personne ; voir enfin dans les découvertes de la science la révélation des lois de la nature, qui sont les lois de Dieu : voilà le Credo, la religion du Spiritisme, religion qui peut se concilier avec tous les cultes, c’est-à-dire avec toutes les manières d’adorer Dieu.» Kardec, discurso de dezembro de 1868 (nota 3).

[36] Kardec, «Constitution transitoire du Spiritisme», Revue spirite, dezembro de 1868: Kardecpedia.

Nas Œuvres posthumes, publicadas em 1890, surge uma versão com diferenças, intitulada «Constitution du Spiritisme». A nota editorial afirma que Kardec acrescentara comentários antes de morrer. A reedição consultada é conforme à edição de 1927. Nela, o comité nomeia o presidente por um ano, ao passo que o texto da Revue spirite de dezembro de 1868 prevê presidência rotativa anual e designação por sorteio. As citações e a descrição deste artigo seguem a publicação de 1868.

[37] «Il est bien entendu qu’il s’agit ici d’une autorité morale, en ce qui concerne l’interprétation et l’application des principes de la doctrine, et non d’un pouvoir disciplinaire quelconque. Cette autorité sera, en matière de Spiritisme, ce qu’est celle d’une académie en matière de science.» Sobre a composição e a presidência: «Ce comité sera composé de douze membres titulaires au plus […], et d’un nombre égal de conseillers». «Chaque membre présidera à son tour pendant un an, et celui qui remplira cette fonction sera désigné par le sort.» Kardec, «Constitution transitoire…» (nota 36).

[38] «Mais quelle sera l’étendue du cercle d’activité de ce centre? Est-il destiné à régir le monde, et à devenir l’arbitre universel de la vérité ? S’il avait cette prétention, ce serait mal comprendre l’esprit du Spiritisme qui, par cela même qu’il proclame les principes du libre examen et de la liberté de conscience, répudie la pensée de s’ériger en autocratie. […] Il pourra donc se former, et il se formera inévitablement, des centres généraux en différents pays, sans autre lien que la communauté de croyance et la solidarité morale, sans subordination de l’un à l’autre […]. […] ce seront les observatoires du monde invisible […].» Kardec, «Constitution transitoire…» (nota 36).

[39] «Mais, dira-t-on, un des messies annoncés, qui doivent prendre part à la régénération, ne sera-t-il pas à la tête du Spiritisme ? C’est probable; mais comme ils n’auront pas au front une marque pour se faire reconnaître, qu’ils ne s’affirmeront que par leurs actes […]. […] En pareil cas, le pire de tous les chefs serait celui qui se donnerait pour l’élu de Dieu.» Kardec, «Constitution transitoire…» (nota 36).

[40] «Le programme de la doctrine ne sera donc invariable que sur les principes passés à l’état de vérités constatées ; pour les autres, elle ne les admettra, comme elle l’a toujours fait, qu’à titre d’hypothèses jusqu’à confirmation. S’il lui est démontré qu’elle est dans l’erreur sur un point, elle se modifiera sur ce point.» Kardec, «Constitution transitoire…» (nota 36).

[41] Sobre o sentido de «revelação», ver também La Genèse, cap. I, n.º 13: «Par sa nature, la révélation spirite a un double caractère: elle tient à la fois de la révélation divine et de la révélation scientifique.» Texto conferido na reedição do Mouvement Spirite Francophone, conforme à 4.ª edição de 1868.

[42] Kardec, L’Évangile selon le Spiritisme (1.ª ed., como Imitation de l’Évangile selon le Spiritisme, 1864), Introdução, «Autorité de la doctrine spirite. Contrôle universel de l’enseignement des Esprits». A secção foi publicada na Revue spirite de abril de 1864, p. 99 e segs., o que permite documentar diretamente o texto nessa data. A reedição francesa de L’Évangile consultada é conforme à 3.ª edição. Ver o artigo do CEsE «”Encarar a razão face a face”: uma máxima na Paris de 1863-1864»: CEsE.

[43] «Le Spiritisme est une doctrine philosophique qui a des conséquences religieuses comme toute philosophie spiritualiste; par cela même il touche forcément aux bases fondamentales de toutes les religions : Dieu, l’âme et la vie future; mais ce n’est point une religion constituée, attendu qu’il n’a ni culte, ni rite, ni temple, et que, parmi ses adeptes, aucun n’a pris ni reçu le titre de prêtre ou de grand prêtre. Ces qualifications sont une pure invention de la critique.» Kardec, «Courte réponse aux détracteurs du Spiritisme», Revue spirite, setembro de 1869, pp. 257–261, sob a indicação «Œuvres posthumes». A passagem citada encontra-se na p. 260. O texto foi depois incluído em Œuvres posthumes, Paris, 1890, 1.ª parte. A reedição deste volume aqui consultada é conforme à edição de 1927. A passagem está ausente da transcrição integral do discurso de dezembro de 1868 (nota 3). Note-se o paralelismo com o opúsculo de 1862 (nota 9): a distinção «consequências religiosas» versus «religião constituída» retoma a distinção «verdades fundamentais das religiões» versus «religião especial».

[44] Sobre a classificação sociológica e a construção histórica do movimento, ver Arribas (2008), pp. 22–24 e 34–35, quanto ao enquadramento francês e às categorias utilizadas, pp. 71–73, quanto às disputas no Brasil, e cap. III, pp. 150–183, quanto à formação do Espiritismo religioso brasileiro. A análise não se restringe à autodesignação nem apenas à posteridade de Kardec. Referência completa na nota 45.

[45] Ver o artigo do CEsE «Da SPEE às práticas espíritas atuais»: CEsE.

Para o enquadramento historiográfico, entre outros: Célia da Graça Arribas, Afinal, espiritismo é religião? A doutrina espírita na formação da diversidade religiosa brasileira, São Paulo, Alameda, 2010. John Warne Monroe, Laboratories of Faith: Mesmerism, Spiritism, and Occultism in Modern France, Ithaca, Cornell University Press, 2008. Marion Aubrée e François Laplantine, La table, le livre et les Esprits: naissance, évolution et actualité du mouvement social spirite entre France et Brésil, Paris, J.-C. Lattès, 1990.

Foi consultada a dissertação que antecede o livro de Arribas: Célia da Graça Arribas, Afinal, espiritismo é religião? A doutrina espírita na formação da diversidade religiosa brasileira, dissertação de mestrado em Sociologia, Universidade de São Paulo, 2008: Repositório da Universidade de São Paulo. As páginas indicadas na nota 44 correspondem à dissertação, não à edição de 2010.

Fontes

Allan Kardec, «Réfutation d’un article de l’Univers», Revue spirite. Journal d’études psychologiques, maio de 1859. «Réponse à la réplique de M. l’abbé Chesnel dans l’Univers», julho de 1859. Transcrições em kardecpedia.com (ligações nas notas). Fac-símiles do volume de 1859 na Gallica.

Allan Kardec, Qu’est-ce que le Spiritisme, cap. I, terceiro diálogo (O padre). Texto das citações conferido na reedição do Mouvement Spirite Francophone, conforme à 8.ª edição de 1868. Edições mencionadas para enquadramento histórico: 1.ª ed., Paris, 1859; 6.ª ed., «remaniée et considérablement augmentée», Paris, 1865. Transcrição em kardecpedia.com (nota 18).

Allan Kardec, «La queue du moyen âge. Auto-da-fé des ouvrages Spirites à Barcelone», Revue spirite, novembro de 1861, nomeadamente p. 324 (nota 22).

Allan Kardec, Le Spiritisme à sa plus simple expression, Paris, 1862, fac-símile (nota 6). Revue spirite, janeiro e abril de 1862, «Bibliographie».

Allan Kardec, Résumé de la loi des phénomènes spirites, Revue spirite, abril de 1864, e folheto. Transcrição em kardecpedia.com (nota 7).

«Réponse à une question sur le Spiritisme au point de vue religieux», Revue spirite, janeiro de 1863. «Réponse de la Société spirite de Paris sur les questions religieuses» e «Décision prise par la Société spirite de Paris…», março de 1863. «Caractère philosophique de la Société spirite de Paris», julho de 1863. «Période de la lutte», dezembro de 1863. Transcrições em kardecpedia.com (notas 23 a 27). Fac-símiles do volume de 1863 na Gallica.

«L’Index de la cour de Rome», Revue spirite, junho de 1864. «Réclamation de M. l’abbé Barricand», julho de 1864. «Le nouvel évêque de Barcelone», setembro de 1864. Index librorum prohibitorum, Cidade do Vaticano, 1938, p. 242, s.v. «Kardec, Allan».

Revue spirite, julho de 1865, «Notices bibliographiques» (nova edição de Qu’est-ce que le Spiritisme).

Allan Kardec, «Séance annuelle commémorative des morts. Discours d’ouverture. Le Spiritisme est-il une religion ?» e «Constitution transitoire du Spiritisme», Revue spirite, dezembro de 1868. Transcrições em kardecpedia.com (notas 3 e 36). Fac-símile do volume de 1868 na Gallica.

Allan Kardec, Le Livre des Esprits, Paris, E. Dentu, 1857 (página de rosto e Introdução, fac-símile do exemplar da Bibliothèque cantonale et universitaire de Lausanne em Google Books). 2.ª ed., Paris, Didier, 1860 (página de rosto). L’Évangile selon le Spiritisme, Introdução, «Autorité de la doctrine spirite. Contrôle universel de l’enseignement des Esprits». Reedição francesa conforme à 3.ª edição (nota 42). Primeira edição publicada em Paris, em 1864, sob o título Imitation de l’Évangile selon le Spiritisme. La Genèse, les miracles et les prédictions selon le Spiritisme. Reedição do Mouvement Spirite Francophone conforme à 4.ª edição de 1868 (cap. I, nomeadamente n.os 13 e 51 e seguintes).

Allan Kardec, «Courte réponse aux détracteurs du Spiritisme», Revue spirite, setembro de 1869, pp. 257–261. Depois incluída em Œuvres posthumes, Paris, 1890 (compilação póstuma, a usar com a cautela editorial correspondente). Reedição consultada conforme à edição de 1927.

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